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Olhar Gubelkian

Um encontro com a arte em Lisboa tem de incluir, indiscutivelmente, uma passagem pelo Museu Calouste Gulbenkian. No seu interior, podemos encontrar a Coleção de Calouste Sarkis Gulbenkian, além da Coleção Moderna, criada após a sua morte, ambas supervisionadas pela nova diretora, Penelope Curtis.

Olhar Gubelkian

A paixão pela arte deu lugar a coleções de todos os tipos que retratam os gostos e as personalidades de quem as criou, mas também os seus critérios e caprichos. O que hoje em dia se conhece como Fundação Calouste Gulbenkian não é outra coisa senão fruto do trabalho do grande financeiro arménio Calouste Sarkis Gulbenkian, nascido na Turquia, que dedicou a sua vida a colecionar e proteger uma ampla amostra de obras de artes de todo o mundo. Os primeiros objetos pelos quais ficou interessado foram moedas gregas clássicas, livros raros, cerâmicas islâmicas e jóias de René Lalique compradas diretamente ao artista, conseguindo uma coleção única no mundo pela sua qualidade e diversidade. O ecleticismo dos seus gostos deve-se ao facto de não se concentrar numa única época ou género concreto, abrangendo um ciclo temporal que decorre desde o Egito de 2500 a.C. até à França da década de 1930. Guiado por conselheiros do patamar de Sir Kenneth Clark, então diretor da National Gallery em Londres, adquiriu quadros de Manet e negociou com o governo soviético a compra de obras importantes do Hermitage Museum. Durante a sua vida, Gulbenkian procurou uma maneira de reunir cerca de 6.000 obras num lugar no qual se pudessem expor. A Segunda Guerra Mundial desfez os seus planos de situá-la em Paris, e depois em Londres, onde tinha protegida uma parte da sua coleção. Depois de descartar Washington, Lisboa tornou-se a sua morada e a da sua futura fundação e museu. O palácio do Marquês de Pombal, em Oeiras, foi testemunha da chegada da coleção completa antes que os arquitetos Ruy Jervis d’Athouguia, Pedro Cid e Alberto Pessoa dessem forma ao edifício que hoje se situa no norte do jardim Gulbenkian, lar de patos, tartarugas e plantas tropicais. O conjunto arquitetónico foi inaugurado no fim dos anos sessenta, com dois espaços dedicados à exposição das obras, com um claro objetivo pedagógico. A chegada de Penelope Curtis trouxe uma lufada de ar fresco vinda da ilha britânica. A antiga diretora do Tate Britain está, atualmente, à frente da ampla coleção, desde a arte antiga até às obras modernas dos artistas nacionais mais relevantes, que a Fundação Gulbenkian foi adquirindo. “Gostaria de encontrar formas de estabelecer ligações entre duas coleções diferentes, mas ambas com muito potencial”. A escocesa é a responsável da nova equipa, das compras e doações ao museu e, no geral, do programa completo de exibições. Falámos com ela sobre a sua nova casa, Portugal. “Aqui existe uma mistura complexa e estranha entre o que é nacional e internacional. Há um sentimento muito forte de identidade nacional que me faz lembrar a Escócia e isso é exposto no cartaz artístico, olha-se mais para Portugal do que para fora”. A aposta de Curtis é aperfeiçoar a estratégia da Coleção Moderna, “somos ambiciosos na compra de obras retrospetivas e contemporâneas”, comenta; “o plano para a Coleção Histórica é pensar nela de maneira diferente e mostrá-la adequadamente. Quero encontrar laços naturais que unam ambas coleções”. No norte da capital, o museu mostra-nos estas duas magnificas coleções, mas como nos adianta Curtis, “o que é inesperado e pode surpreender os visitantes é a arquitetura, o jardim e algum dos novos espetáculos que tornam o Calouste Gulbenkian um lugar para desfrutar da arte, em todos os sentidos”.