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Lisboa, sÉCULO XVIII

Há vários séculos que as margens de Lisboa dão um caráter universal a uma cidade que resistiu, não sem cicatrizes, ao passar do tempo. A sua história está ligada a outras culturas, a costas longínquas e a um mar que trouxe riqueza a Portugal num momento em que o centro do mundo estava num local muito distinto do atual.

Lisboa, sÉCULO XVIII

Os quadros da coleção do antiquário Pedro Aguiar Branco, revelam esse passado forjado na Corte de Henrique o Navegador, cujo esplendor atraiu genoveses, judeus, flamencos e maiorquinos, que configuraram a essência de um país. Seguidamente, com Manuel I, é consolidado o cenário arquitetónico da Lisboa do Renascimento. Nestas pinturas a óleo, testemunhas desse passado, vemos majestosos edifícios que povoavam a cidade, como o Hospital Real de Todos-os-Santos, estrutura monumental e um dos edifícios mais importantes da época. Com o modelo de cruz grega do Ospedale Maggiore de Milão, os arquitetos Mateus Fernandes e Diego de Boitaca levaram a cabo uma obra vanguardista, cuja fachada principal dava para o Rossio, tendo sido comparada ao Hospital dos Espanhóis em Roma, o de Santiago na Galícia ou o famoso Guadalupe, em Paris. O retrato do Terreiro do Paço torna mais complicada a identificação das fontes iconográficas. Nele se retrata o terreiro de acordo com as restaurações filipinas de finais do século XVI, com a célebre Torre do Relógio, de 1700, e o conjunto palaciano da “Casa das Varandas”, com a igreja de São Francisco e a muralha ao lado do rio, com a sua fortaleza armada com artilharia. Outro dos quadros refere-se ao Mosteiro de Santa Maria de Belém, conhecido como o Mosteiro dos Jerónimos, numa perspetiva que inclui detalhes que demonstram o edifício e o espaço envolvente de acordo com as renovações do século XVII. Na década de 1789, Zuzarte termina a série com o retrato do Real Edifício de Mafra, com a sua monumental fachada régia. A capital, próspera, buliçosa e multicultural, surgia como um centro do comércio internacional. Porém, a sua fisionomia mudou, não só graças aos incêndios, mas principalmente devido ao terramoto de 1 de Novembro de 1755. Na manhã do dia de Todos os Santos, o solo de Lisboa tremeu como nunca antes, seguido de um maremoto e de um incêndio que provocou a destruição quase total da cidade. A catástrofe interrompeu abruptamente as ambições coloniais do país durante o século XVIII, que teve de canalizar todas as suas forças para amenizar as tensões e reconstruir a capital submersa. O Marquês de Pombal, com as riquezas de Minas Gerais, encarregou-se da restauração da zona da Baixa. A nova distribuição clássica centrou-se num plano regular, convertendo as suas ruas, praças e monumentos, no que hoje em dia conhecemos como Lisboa. Pouco sobreviveu ao terramoto que marcou o início de uma nova era. Assim, as quatro pinturas a óleo da coleção de Pedro Aguiar Branco, são excecionais testemunhos da história da cidade.